Aumento do desmatamento na Amazônia

De agosto de 2019 até 31 de julho de 2020, 9205km² de área de floresta foram desmatadas na Amazônia. 

O desmatamento na Amazônia vem aumentando exponencialmente nos últimos anos. Apesar da criação de institutos e projetos que visam proteger a floresta, como o projeto da fazenda Ituxi, infelizmente, o número de áreas desmatadas não para de crescer.  

A floresta Amazônica é reconhecida como um repositório de serviços ecológicos, tanto para a comunidade local e os povos indígenas da região quanto para o restante do mundo. Ela representa um terço das florestas tropicais do mundo e desempenha um papel imprescindível na manutenção da qualidade do solo, estoques de água doce e proteção da fauna e flora do local. 

Além disso, os processos que ocorrem na floresta, como evaporação e transpiração, ajudam a manter o equilíbrio climático de várias regiões do país. Porém, à medida que a Amazônia é desmatada, o aquecimento global é intensificado e todos os processos existentes na floresta são prejudicados.

A importância da floresta Amazônica 

Você sabe qual a importância da região Amazônica para todo ecossistema? Essa região contém mais da metade da biodiversidade do planeta e tem um papel preponderante no uso dos seus recursos hídricos. Só a região concentra 20% da água doce do planeta que é utilizada para fornecimento de água potável, navegabilidade e aproveitamento energético. 

O Brasil, tem a segunda maior área florestal do mundo, ficando apenas atrás da Rússia. São 500 milhões de hectares, praticamente duas Índias ou Argentinas só de florestas.

Além disso, por abrigar mais da metade da biodiversidade do planeta, as plantas e animais da região servem como base para a fabricação de medicamentos e insumos que podem salvar milhares de vidas por todo o mundo. Os pesquisadores acreditam que menos de 0,5% das espécies da flora foram detalhadamente estudadas quanto ao seu potencial medicinal. Contudo, com o avanço rápido do desmatamento, corre-se o risco de plantas e animais serem extintos antes mesmo de serem estudados, eliminando uma fonte importante para o desenvolvimento da biotecnologia. 

A Amazônia também contribui economicamente com a vida de 400 mil famílias que vivem do extrativismo. Ou seja, a extração de produtos não-madeireiros, como óleos, resinas, ervas e frutos. Essa extração, racionalmente utilizada, não prejudica os recursos florestais e traz benefícios econômicos à população local, melhorando sua qualidade de vida e fixando a população no campo. 

A região tem o maior estoque de carbono do mundo. A quantidade é tão grande que olhando os 10 países que mais produzem créditos de carbono, o Brasil sozinho teria produção maior que a soma do 4° ao 10°. Ainda que nem todo o estoque brasileiro seja “certificavel”, levando em consideração o valor de cada crédito de carbono atual, de US$ 30, o Brasil teria um tesouro de US$ 1.5 trilhões. 

O avanço do desmatamento na Amazônia 

Em 2019, o desmatamento na Amazônia aumentou 34% em comparação ao ano anterior. Em abril de 2020, os estados que mais perderam mata, foram: Pará (32%), Mato Grosso (26%), Rondônia (19%), Amazonas (18%), Roraima (4%) e Acre (1%).  

Além disso, o desmatamento aumentou 90% em regiões de terras indígenas junto com a descrença que haveria multas e punições, para quem praticasse o ato. Um dos grandes motivos do desmatamento deve-se às declarações do Presidente e Ministro do Meio Ambiente, que flexibilizam e diminuem a gravidade do que tem acontecido na região. 

O desmatamento na Amazônia é uma preocupação para o Brasil e o mundo. Afinal, essa ação leva a alterações significativas para o funcionamento do ecossistema como um todo. Além do desmatamento, as queimadas também preocupam os protetores da região. Pelos cálculos dos pesquisadores do IPAM, se o ritmo acelerado de desmatamento se mantiver, quase 9 mil quilômetros quadrados de floresta podem virar cinzas. 

O papel da floresta no ecossistema

A floresta desempenha um papel-chave na redução de níveis de poluição. Em condições naturais, as árvores retiram CO2 da atmosfera e o absorvem para realizar a fotossíntese. Desse processo, as plantas obtêm oxigênio, que é liberado no ar, e o carbono fica armazenado internamente para manter o crescimento da planta. Devido a esse processo, atualmente, a Amazônia armazena em suas florestas o equivalente a uma década de emissões globais de carbono.

Mas, com o desmatamento e a queimada das florestas, cerca de 200 milhões de toneladas de carbono são liberadas por ano na atmosfera, cerca de 2,2% do fluxo total do globo. Para piorar toda a situação, onde existiam florestas tropicais e úmidas, passa a ter pastagens para a criação de gados. 

Esse tipo de produção também libera CO2 na atmosfera, aumentando ainda mais os níveis de poluição. Essa mudança não traz benefícios ambientais e nem econômicos. O retorno econômico da pecuária extensiva na Amazônia é de apenas 4% se comparado com a exploração madeireira de manejo sustentável, que possui desempenho de 71%. 

A mudança dessa realidade 

Portanto, para uma mudança efetiva dessa realidade, é importante e necessário que os órgãos governamentais intensifiquem a fiscalização e que o Executivo crie leis com punições mais severas quanto aos desmatamentos e às queimadas na região. Mas, enquanto isso não acontece, é possível que o cidadão contribua para diminuir os impactos negativos dessas práticas. 

Há diversos projetos sendo desenvolvidos na Amazônia, com a finalidade de manter a floresta de pé e diminuir o número de desmatamento. Essas ações impactam positivamente a parte ambiental, social e econômica da região e são financiadas por meio da venda de créditos de carbono.

Os créditos de carbono são certificados digitais que representam quanto de dióxido de carbono (CO2) uma empresa deixou de lançar na atmosfera ou o quanto de sua emissão foi evitada por meio de projetos sociais. Assim, ao comprar um crédito de carbono, você evita que 1 tonelada de gás carbônico seja gerada, contribuindo para a manutenção da floresta.

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